Mercedes Sosa: uma voz, um ideal, um povo.
Nós, professores latino-americanos, devemos tomar parte na Revolução
“Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto”
Gracias a la vida, Violeta Parra.
Quantos se calam ante o horror, a opressão e a desigualdade geral de um povo, de um continente? Quantos entre nós ainda se limitam a resignação face a pobreza e ao abandono? Muitos, infelizmente.
É por isso que hoje, mais do que nunca, quando perdemos pessoas da grandeza e engajamento de Mercedes Sosa, La Negra, que cantou o povo das Américas sofridas, temos que parar e refletir sobre nosso papel de educadores e educadoras diante do mundo alienante que pretende reduzir tudo a capital e o ser ao simples ter.
Quando a morte nos leva a voz que cantara a América Latina, seu folclore, miséria e beleza, devemos nos silenciar para ouvir os que choram de desespero, os que morrem sem perspectiva; mas sempre na esperança de que alguém os vingue. Sim, é preciso vingar. Mas não com as armas e a força bruta. Nós, educadores do século novo nos vingaremos do sistema estúpido com a caneta, o livro e o saber, com os computadores ligados à uma gigante rede de amizade entre os povos do continente. A Nossa América somente poderá ser construída com a nossa força. As mãos e a alma de cada professor devem ser os instrumentos de trabalho digno e revolucionário a serviço do povo que pede, clama, exige por justiça social. E isso não se trata de esquerdismos ou direitismos moderados, não. A justiça social popular deve ser aquela que põe comida à mesa, criança na escola, que dá condições dignas de moradia e saneamento, que garante o acesso à saúde e ao trabalho honesto e remunerado de forma justa, respeitando a natureza e a humanidade, em seu senso mais profundo. A verdadeira transformação social que nós, educadores da América Latina devemos pregar é aquela que respeita o homem e a terra resgatando a cultura e o folclore a cantar com a voz dos que, como Mercedes, puseram no canto o lamento, a indignação e a esperança de milhões de índios, negros, brancos e mestiços, os herdeiros das Américas; do Sul à do norte.
Mas hoje, se não temos mais Mercedes Sosa, é preciso que seguremos entre as mãos um punhado da terra, e que, nos sabendo parte dela, tomemos a consciência de que o destino de cada um é o destino de todos e que a vitória de cada professor pelos rincões da América Latina será, com toda a certeza, a vitória de um povo que canta de saudade e esperança a uma só voz com a alma e a coragem da mulher que representou mais que um ideal, e sim, um povo.
Mercedes Sosa: 09 Julho 1935 / 04 de outubro de 2009.
Costaneto,
05 Outubro 2009.
![]() | |||
|
|
|||
![]() | |||
![]() | |||
|
|||